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quarta-feira, 12 de março de 2008

PSICOLOGIA EDUCACIONAL EM SALA DE AULA EM 1848

Lista de punições aplicadas numa escola da Carolina do Norte em 1848


Alunos da época Alunos modernos

Em um passado não muito distante, os princípios educacionais eram muito rigorosos, e as psicologias aplicadas eram totalmente voltadas a disciplinar atitudes comportamentais.

Nesta época as escolas eram de segmentos religiosos ou militares, isto dá para compreender um pouco as atitudes direcionais das escolas, sendo que todo ato ou atitude que ia contra o pudor e os bons costumes da época, sofreria um punição mediante uma relação criada pela escola.

nº Regras da Escola / número de Chicotadas

  1. Meninos emeninas brincando juntos /4
  2. Brigar /4

  3. Lutar/ 5

  4. Lutar na escola/ 5

  5. Brigar na escola/ 3
  6. Jogar ou apostar na escola /4
  7. Jogar baralho na escola /10
  8. Trepar em árvores /1
  9. Mentir/ 7
  10. Contar histórias fora da escola /8

  11. Apelidar os outros/ 4
  12. Difamar os outros /3
  13. Lutar no período do estudo /2
  14. Blasfemar na escola /8
  15. Injuriar os outros/ 6
  16. Mau comportamento com as meninas/ 10

  17. Sair da escola sem autorização do professor/ 4
  18. Voltar para casa com um colega sem autorização do professor /4

  19. Tomar bebidas alcoólicas na escola /8

  20. Fazer balanços e balançar-se/ 7
  21. Mau comportamento quando há estranhos/ 6
  22. Usar unhas compridas/ 2
  23. Não fazer reverência quando um estranho entra ou, sai/ 3
  24. Mau comportamento com as pessoas no caminho/ 4
  25. Não fazer reverência quando encontra uma pessoa /4
  26. Ir ao recreio das meninas /3

  27. Meninas que vão ao recreio dos meninos/ 2
  28. Vir para escola com o rosto e as mãos sujas /2
  29. Chamar os outros de mentirosos/ 4
  30. Jogar "bandy" /10
  31. Borrar o caderno/ 2
  32. Não fazer reverência quando vai para casa ou volta para a escola/ 4

  33. Luta-livre na escola/ 4
  34. Arrastar os pés na escola/ 4
  35. Não fazer reverência ao sair para casa/ 2
  36. Molhar os outros no lavatório na hora do recreio/ 2

  37. Gritar e fazer algazarra ao voltar para casa /3
  38. Atrasar-se ao ir para casa ou vir para a escola/ 4
  39. Não fazer reverência ao entrar ou sair da classe/ 2
  40. Atirar objetos pesados/ 4

  41. Para cada palavra esquecida da lição decorada, sem uma boa explicação /1
  42. Por não dizer "sim, senhor" e "não, senhor", ou "sim, senhora" e "não, senhora" /2
  43. Atrapalhar os colegas escrevendo bilhetinhos/ 2
  44. Não se lavar na hora do recreio ao voltar para classe /4
  45. Ir brincar perto do moinho ou do regato/ 6
  46. Ir perto do celeiro ou escangalhar qualquer coisa nesse lugar/ 7


10 de novembro de 1848

Reflita: Será que seriamos alunos exemplares, e comportados nessa época.

Não é assim que se educa!

E graças aos grandes pensadores e estudiosos da educação os métodos se modificaram no rumo da aprendizagem.

Muitos lutaram para que pudessemos ter uma educação livre de violências, e que os alunos tivessem a sua liberdade de expressão dentro das escolas.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

UM ALTIVO SOLITÁRIO


Anjos das ruas
Pedro Salgueiro Especial para O POVO
Ao contar uma história de solidariedade, o escritor Pedro Salgueiro abre o questionamento: se uma pessoa de boa vontade consegue salvar uma vida, o que não fariam os poderes estaduais, municipais e federais se tivessem um mínimo de boa vontade?

Silvio Tadeu parecia fazer parte da paisagem de Fortaleza (Foto: Sebastião Bisneto) Faz uns dez anos que perambula pelas ruas de nossa sonsa loirinha descabelada pelo sol um negro alto, cabelos fartos, sujo, roupas em farrapos, às vezes vestida sobre outra já em tiras. Distingue-se pelo porte altivo, cabeça levantada e pelo quase silêncio que o acompanha: poucos escutam as palavras que pronuncia baixinho, não raro esbraveja com alguém imaginário ou faz estranhos cálculos matemáticos. Não pede esmola, mas lhe dão dinheiro, roupa e comida; quase sempre redistribui ou deposita as cédulas amassadas e rabiscadas com números em baixo de cones, desses usados em sinalizações de trânsito, e de papelões de outros moradores de rua, nada guarda para o dia seguinte. Come pouquíssimo e toma café e fuma em abundância (que lhe dão sem ele ao menos pedir). De dia freqüenta os logradouros no centro: Praça Murilo Borges, rua Assunção, praça Coração de Jesus e uma calçada de estacionamento na Duque de Caxias, onde passa a maior parte da tarde acocorado em silêncio; de noitinha vai em direção à Praia de Iracema até a avenida Aquidabã, lá fica também acocorado em uma calçada em frente a um posto de gasolina. Não se sabe onde dorme, como faz suas necessidades fisiológicas, muito menos o que pensa e balbucia em quase preces noturnas. Cumpre há uma década o mesmo ritual de sempre, dizem que ele faz as mesmas coisas, nas mesmíssimas horas (até para atravessar as ruas é sempre em locais determinados), o exato itinerário, quer faça chuva ou sol: o mesmo porte altivo, o olhar contemplativo de superioridade e paz. Não se apressa nunca, nem altera o semblante; nem se importa se ao seu lado passa uma bela jovem (que quase sempre aperta a bolsa e desce a calçada) ou um outro morador de rua. Já apareceu em diversos ensaios fotográficos sobre o centro da cidade e foi até personagem de crônica de Airton Monte: faz parte, definitivamente, da paisagem dessa Fortaleza de Todos os Perdidos-Anjos. Pois bem, acho que cumpriria este seu eterno ritual de perambular pelas calçadas, de se esgueirar pelos becos, de se acocorar pelas calçadas, até o final dos tempos, não fosse a alma enorme e boa do meu colega de repartição (e ex-baixista da banda de regue Rebel Lions) Jânio Alcântara, que puxou conversa, com uma paciência de Santo, com nosso personagem: descobriu o nome de sua cidade natal - Paranapanema, São Paulo) e o nome da mãe, Jandira Aparecida da Cruz (completo e com seu nome de solteira e de casada). O novo amigo foi a Internet pesquisar e conseguiu falar por telefone com a mãe, uma senhora forte e saudável morando no interior de São Paulo; em poucos dias se encontrava em nossa cidade a mãezona (que há dez anos não sabia o paradeiro do filho) e a irmã mais nova, Sidelça, uma bela jovem parecidíssima com o nosso herói-de-rua.Jânio não ficou por aí, conseguiu internamento e tratamento dignos para o agora ex-morador das ruas sujas de nossa meretríssima loirinha descamisada pelo sol. Moral de nosso conto de fada: se uma pessoa de boa vontade (com a ajuda de outros anjos bons) consegue salvar uma vida, o que não fariam os poderes estaduais, municipais e federais se tivessem um mínimo de boa vontade, competência e solidariedade. P.S.: Para não deixar o leitor curioso com o destino de Silvio Tadeu da Cruz, ele está internado, limpo e bem vestido. A família o espera para levá-lo de volta, pois sua avó de 99 anos de idade há dez anos não se cansa de perguntar toda noite por ele. Duas de suas irmãs moram na Europa, os outros vivem bem em Paranapanema (SP). A mãe diz que seu descontrole começou quando ele presenciou a morte, em acidente de automóvel, do irmão de que mais gostava, depois agravado pela dificuldade em pagar a faculdade de engenharia que cursava já no 2º ano, após ser despedido do banco em que trabalhava. Diz-me (agora sua belíssima irmã) que ele era o mais inteligente da família, também o mais vaidoso...

:::TEMPO NO BRASIL:::